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Aplicação de meia dose da vacina de Oxford foi ‘casualidade’, diz vice-presidente de laboratório à Reuters

Mene Pangalos, vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, afirmou em entrevista à agência de notícias que a ‘meia dose’ aplicada em parte dos voluntários dos ensaios foi um imprevisto dos pesquisadores da universidade.

Vacina de Oxford (AstraZeneca) – Foto mostra voluntário recebendo a vacina em um hospital de Soweto, em Joanesburgo, na África do Sul, em junho de 2020 — Foto: Siphiwe Sibeko/Pool via AP

A meia dose aplicada em parte dos voluntários da vacina de Oxford contra a Covid-19 foi uma “casualidade”, disse nesta segunda-feira (23) Mene Pangalos, vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, em entrevista à agência de notícias Reuters. A farmacêutica desenvolve a vacina em parceria com a universidade.

A combinação da meia dose com uma dose completa, conforme resultado anunciado pelos cientistas, acabou tendo uma eficácia maior na proteção contra a doença, de 90%. Em contrapartida, a eficácia nos participantes que receberam as duas doses completas foi menor, de 62%.

(A palavra usada por Pangalos na entrevista para definir o ocorrido foi “serendipity”, termo que tem origem no inglês e que significa “o fato de encontrar coisas interessantes ou valiosas por acaso”, segundo o dicionário de Cambridge).

Segundo a agência, na época em que a farmacêutica iniciava sua parceria com Oxford, no final de abril, pesquisadores da universidade estavam aplicando doses em voluntários na Grã-Bretanha.

Mas eles logo perceberam que os efeitos colaterais previstos, como fadiga, dores de cabeça ou no braço, foram mais leves do que o esperado, disse Pangalos à agência.

Pangalos também afirmou que a empresa decidiu continuar com a meia dose e administrar a dose completa de reforço conforme o programado.

Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença.

Das 11.636 pessoas vacinadas, 8.895 receberam 2 doses completas da vacina, com um mês de diferença, conforme planejado. Os outros 2.741 voluntários receberam uma meia dose, que foi seguida de uma dose completa um mês depois.

Resultados preliminares

Nesta segunda (23), cientistas de Oxford e da AstraZeneca anunciaram os resultados preliminares da eficácia da vacina desenvolvida por eles.

Foram registrados 131 casos da doença entre os voluntários: 101 entre os que receberam o placebo (substância inativa) e 30 entre os que receberam a vacina. Não houve nenhum caso grave da doença entre os que tomaram a vacina.

O chefe da pesquisa da vacina, Andrew Pollard, disse estar otimista que a resposta imune gerada pela vacina dure pelo menos um ano.

A vacina de Oxford pode ser armazenada, transportada e manuseada em condições normais de refrigeração (entre 2°C e 8°C) por pelo menos 6 meses. A característica é considerada uma vantagem, por especialistas, em relação à candidata da Pfizer, que precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e da Moderna, que precisa ficar a -20ºC.

Organização Mundial de Saúde anunciou, nesta segunda-feira (23), que pretende “finalizar a avaliação” da vacina no início de 2021.

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